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A democracia como princípio. Análise de Iriny sobre a crise em Honduras
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10/3/2009
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Lena Azevedo
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Em artigo publicado no jornal A Gazeta (ES), nesta quinta-feira (1/10), a deputada federal Iriny Lopes analisa o golpe de Honduras, trazendo os motivos reais que levaram à deposição do presidente eleito Manuel Zelaya.
A democracia como princípio
Iriny Lopes é deputada federal (PT-ES)
Em 28 de junho o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi acordado com uma metralhadora e forçado a deixar o país, deposto pelo golpista Micheletti.
O golpe, condenado por todos os organismos internacionais, pela a ONU e OEA, que passaram a exigir seu retorno à Presidência da República, tem motivações inconfessas ou impublicáveis, à medida que interessaram pouco à parte da imprensa e envolvem interesses corporativos nacionais e transnacionais.
Dentre os motivadores encontram-se o aumento do salário mínimo de US$ 180 para US$ 289, em 2008, que desagradou os grandes grupos econômicos hondurenhos e estrangeiros. Afinal, um salário neste valor é muito para exportadores agrícolas que não se importam em submeter homens, mulheres e crianças a 12 horas de trabalho diário.
Zelaya também questionou o monopólio exercido pelas companhias Exxon Móbil, Shell e a local Dippsa sobre a venda e distribuição de combustíveis, algo que aumentou a indisposição das corporações ao seu governo.
Um acordo com Cuba para importação de remédios genéricos a baixo custo para os hondurenhos adicionou mais um ingrediente na ira das multinacionais. A reação veio do setor de fármacos e, principalmente, da empresa Laboratórios Finlay, do mesmo grupo que controla os maiores jornais de Honduras (El Heraldo e La Prensa).
No ano passado, Zelaya assinou a adesão de Honduras à Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), criada em 2004, em contraposição à Alca (Área de Livre Comércio das Américas), iniciativa americana. Foi um passo importante para um país que nos anos 80 serviu de base para os "contras", guerrilha patrocinada pelos EUA para combater o governo sandinista na Nicarágua.
Por fim, a desculpa derradeira para desencadear o golpe cívico-militar foi a consulta popular sugerida por Zelaya. Apoiado na Lei de Participação Cidadã, que em seu artigo 2º garante o “direito de os cidadãos proporem e decidirem sobre assuntos públicos”, o presidente pretendia, através de referendo, com voto não obrigatório, convocar uma Constituinte, que não possibilitaria sua candidatura à reeleição, como dizem os golpistas, pois não haveria tempo hábil para tal.
A deposição de um presidente eleito evidencia um desrespeito incomum nos dias atuais ao Estado de Direito e demonstra que apreendemos pouco com a história. Parece que nos esquecemos como se constrói diariamente um golpe de estado, quais seus instrumentos (incluindo omissões e desinformações de parte da mídia) e a série de violações, que começam pelos opositores e depois se generalizam.
Conviver com a democracia exige a força dos argumentos e convicção de princípios, comprometimento com os direitos humanos e uma cultura de paz, pautada pelo diálogo. O contraponto é a guerra, são os golpes de estado como este de Honduras. Nenhum golpe se justifica. Isso é princípio inegociável. O resto, assim como todas justificativas para a violência, é o fim.
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Entrevista de Iriny à Rádio Câmara sobre a Reforma Política
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