As que desafinam o coro do destino



"Essas que se embrenharam mata adentro e se negaram aos colonizadores. Essas que levaram chibatas e fundaram quilombos. Essas que pariram e criaram filhas e filhos e as que não pariram. Essas que clamaram por escolas e derrubaram muros com pontas de dedos. Essas que escreveram e as que nem assinavam o nome. Essas que ocuparam ruas e praças e as que ficaram em casa. Essas que quiseram ser cidadãs e sonharam com todas votando. Essas que trabalharam nas fábricas e com enxadas no campo. Essas que foram datilografas, secretarias, doutoras e lavadeiras. Essas que não se comportaram bem e que tudo fizeram sem pedir licença. Essas que desafinam o coro do destino e abrem alas.
Essas somos nós" (Shuma Schumaher).

Sérgio Cardoso

Caminhada do Dia Internacional da Mulher (2005)
Atendendo ao chamado do seu tempo, saindo para falar, para escutar, ver, trabalhar, lutar, apalpar a vida, a mulher do século XXI tem a certeza que um dos marcos do último século foi à transformação da sua realidade, ocupando espaços, conquistando direitos nem sonhado pelas suas antepassadas.

Para chegar às conquistas de hoje, aparentemente tão naturais, foi preciso muita luta. No inicio, de corajosas mulheres, individualmente, chegando à luta coletiva organizada por bandeiras mais definidas. A história oficial não divulga, mas muitas se assustariam com a história de várias mulheres para chegar ao atual patamar de cidadania.

Protagonizando a sua própria história, as mulheres rompem barreiras deixando mais, a cada novo dia, a esfera doméstica e se inserindo no seu espaço público, visibilizando assim, que a origem da opressão não se trata de uma decorrência "natural" da existência de dois sexos na espécie humana, mas que tem como causa fundamental relações desiguais que foram construídas com base na divisão sexual do trabalho e consolidada através de arcabouço cultural, que naturaliza e transfere as diferenças biológicas para o campo social, político e econômico.

Quando a poetisa em seus versos acima, nos relembra no pretérito os caminhos percorridos contra a opressão, a discriminação, os preconceitos e a busca por transformação em cada momento histórico tenta nos dar a exata dimensão de que o presente e o futuro ainda são, para as mulheres, um compromisso de luta, resistência e rebeldia, justificado por ainda termos uma sociedade em que o desenvolvimento humano é preterido em função dos interesses econômicos e submetido à cultura patriarcal. Nessa realidade, todos e todas têm um compromisso com presente e com o futuro.

Assumindo esse compromisso o mandato é um instrumento que tem estado ao lado das mulheres capixabas e brasileiras na sua luta cotidiana por transformação, na busca de novos espaços, na concretização de direitos através de projetos de Lei, de políticas públicas e colocando-se a disposição para organizar mais e melhor as mulheres, inseri-las nos espaços de poder e assumindo que o avanço da luta das mulheres, só será possível na medida em que contribuirmos também para o avanço do conjunto da sociedade, estando inserido nas principais lutas do nosso povo.



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